sábado, 31 de março de 2007

Suicídio

Era noite de lua, madrugada. Eu a passear pela praia. Noite, praia e eu, lindas mulheres contemplando a vida. Barulho de galhos balançando, de ondas quebrando, de choros longínquos que eu gostaria de consolar. Vou andando pela praia e o choro cada vez mais alto, mas quem chora? Parece que nunca vou encontrar. Não sei por que o choro parece me chamar. Parece que vim a praia para o consolar.
Ao longe, vou enxergando uma menina se banhando. Deve ser ela que está chorando. Chego mais perto. Como ela se parece comigo, um metro e meio, cabelos longos... Não entendo, o choro me acompanha há tanto tempo! Será que é tudo fruto da minha imaginação? Agora ela está nadando. Me vem a mente que ela vai se suicidar. Corro pra tentar salvá-la. De repente me sinto aflita, nervosa, depressiva, apreensiva. Uma mistura de pavor e amargura me inflama e eu entro no mar. Já estou me aproximando dela. Ela nada de vagar. Parece estar calma, mas não pára de nadar. Ela afunda. Eu a sigo e a procuro. Como ela desapareceu assim? Estava a menos de 2 metros de mim!? Vejo tudo: a areia, a superfície, o horizonte submerso do oceano. Ouço gorgulhos, tento e não consigo emergir, a areia clareia e ofusca meus olhos. Só vejo branco. Meu Deus será que a menina era eu? Será que eu morri?
Acordo embebida de morte, de pranto, de medo, tristeza... Madrugada, noite de lua, algo me chama a praia. Vou sem me perguntar por quê. Na mente vagas lembranças de um sonho de um sonho intrigante que tem não sei exatamente o que haver com a sensação que sinto agora. Me vem uma grande curiosidade e determinação, parece que estou indo fazer algo importante, decisivo e bonito. Ouço um choro e sigo a procura da sua dona. Às vezes, no caminho até a praia, fico em dúvida se é real ou criação da minha mente. Por um minuto duvido de tudo. Tenho medo e penso em mil possibilidades. Será um espírito? Será imaginação? Paro, tento pensar em outras coisas.

PAREI POR AQUI

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