Levantei-me e fui, como sempre, lavar o rosto e as mãos. Por que essa minha mania de lavar rosto e as mãos? Antes não o fazia. Mas a verdade é que sempre tive a mania de olhar muito no espelho. Era lá, na frente do espelho que eu ia antes de sair ou depois de voltar de qualquer lugar, até mesmo quando eu ia do sofá da sala pra o meu quarto. Não era vaidade, não sei bem o que era. Parecia que esperava algo de mim mesma. Ou então queria ter certeza de eu ainda era eu, só tenho certeza de que esperava alguma resposta do espelho.
Bom, mas eu estava mais uma vez diante do espelho, parecia que cada vez que eu olhava pro espelho eu já era outra, ou então eu nunca fui eu mesma, era o que pensava, eu mesma me achava uma menina equivocada!
Então como sempre eu me encarava, esperando que algo acontecesse, me perguntava o que havia mudado, onde estava a menina de antes, o que eu fazia ali, e não respondia. Morria de raiva do espelho e só vivia na frente dele. Fazia textos culpando a menina do espelho pela minha infelicidade, me sentia uma menina sem identidade, vivia perseguindo a mim mesma, e sempre achava que estava sendo falsa. Como alguém pode ser falsa o tempo todo e contra a própria vontade?
Sei que eu sempre me achava falsa, parecia que eu sempre estava escondendo algo dos outros, e nem eu mesma sabia o que era.
Dessa vez eu passei tanto tempo na frente do espelho pensando sobre isso que quando dei por mim já estava atrasada. Lavei então o rosto mais uma vez, pois ele já estava suado, coloquei minha calça jeans, minha miniblusa preta, amarrei meu casaco na cintura e sai.
Na rua costumo esquecer esses pensamentos que meia e volta vem me confundir. Estava aliviada e com uma sensação incrível de liberdade e auto-confiança. Me sentia plena, na praia, guiada pela lua cheia que sempre me pareceu madura e maternal, fazendo eu me sentir segura.
Andei como sempre, vendo os bares cheios de jovens como eu, se divertindo com suas turmas e trocando olhares com os que passam pela praia, sempre abertos a novas amizades e amores. Admirava eles e não sabia porquê. O que eu tinha de diferente deles? Talvez só fosse mais filosófica, menos contentada. Mas sempre admirei a filosofia, e sempre gostei de filosofar, se era só isso não tinha do que reclamar. Acho que não era, eu era mais insegura, mais dramática, mais poética. Mais introvertida? Não, acho que não, eu era extrovertida quando me sentia segura.
PAREI POR AQUI
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